Estou há muito tempo sem passar por aqui. Sei lá, meu amor, a vida mudou tanto que a vontade de falar bobagens sobre o mundo deu uma murchada. Porque a gente fala muita bobagem quando não tem nada melhor pra fazer. E eu, meu amor, descobri com minha mudança de vida - e de marido - que até ficar sem fazer nada bem acompanhada é melhor do que qualquer bobagem.
Eu encontrei o amor da minha vida. Juro. Não é papo furado de quem se apaixona toda hora e acha que qualquer pessoa que aparece na frente não dá pra viver sem. Até porque, meu amor, se você já leu algum post antigo meu, você bem deve saber que as pessoas realmente passam pela minha vida. E que eu não me apego a bocas e genitálias. Nossa, que feio falar isso, né? Paus-e-bucetas parece menos esquisito do que genitálias. Parece uma pudica falando de um assunto chulo. Enfim.
O que acontece, meu amor, é que eu conheci um cara. O cara. Aquele meu vizinho, lembra? Que eu não conseguia parar de olhar. A história da TV sem botão liga/desliga. Pois é. Casei com ele. Porque ele veio, que nem naquelas histórias que a gente acredita quando é criança, todo cheio de atitude, me pediu em casamento, me assumiu com prazer, me deu o melhor sexo do mundo e todos aqueles momentos super clichês que toda mulher fala que não liga mas adoraria que acontecesse. Pediu até minha mão em casamento pros meus pais. Juro. Só faltou o cavalo branco. Então não tinha como não casar. Não tinha como deixar passar a felicidade assim, de bobeira.
Você realmente acha, meu amor, que eu não ia trocar um relacionament0-semi-aberto-light sem grande envolvimento nem emoção, por um cavaleiro real?
Vou te dizer, meu amor, mente a mulher que diz que não liga pra essas coisas. Liga sim. Ô, se liga! Porque mulher é bicho manhoso. Se faz de macho, mas é bicho fêmea. Não tem jeito. Gosta de atitude, de agradinhos, de cafuné. Gosta de sentir que amarrou o burro na felicidade.
Mas vamos separar as coisas, péra lá. Tem três tipos de homens. 1) Os que acham que essa coisa de tomar conta é machismo, que mulhere tem mais é que ser feminista e não abrem uma porta, não carregam uma sacola pesada, não fazem uma cortesia. 2) Os que acham que têm que fazer tudo o tempo todo, dominar, tratar infantilmente, como se a mulher fosse uma aleijada e não dar o direito da coitada nem pensar sozinha, nem ter vontades ou atitudes pessoais. 3) E tem os não são paternalistas, então entendem que mulher pensa sozinha, tem opinião e vontade como todo ser humano, mas também não são feministas, então são cortezes, à moda antiga, com atitude e carinho ao mesmo tempo. Os dois primeiros tipos, puros, como deve ser fácil de notar, não agradam muito às mulheres. Portanto, meu amigo, se você se encaixou num desses, sinto muito mas você está fadado à péssimas relações amorosas pelo resto da sua vida enquanto se vir assim. O negócio é entrar pro terceiro time.
Ó, tou dando o caminho das pedras de bandeja, marmanjos. Depois não digam que ninguém ensina.
Mas tem que ser esse misto, de cavalheiro e moderninho, sabendo encaixar as peças nos lugares certos. Não dá, por exemplo, pra falar com vozinha na hora de meter. O tesão vai ralo abaixo. Porque cama é lugar de gente grande. É só pensar como é o contrário: o cara compra Playboy pra ver que tipo de mulher? A pudica é que não é. Sexo é sexual, não fofo. Pelamordedeus. Agora, é ótimo poder fazer uma gracinha, ficar meio débil enquanto tá em casa de bobeira. E não medir esforços pra fazer o outro feliz. Que, na verdade, meu amor, essa história de cavalheirismo que as mulheres tanto prezam não passa disso: não medir esforços pra fazer o outro feliz. O que não significa ser capacho nem submisso. Abuso ninguém aguenta. Mas aí tem que conversar, numa boa, e achar o meio termo, sem levar nada a sério demais.
Aliás, acho que esse é o grande segredo pra qualquer relacionamento: nunca levar nada a sério demais. Claro que as duas partes têm que seguir a mesma cartilha, senão um fica achando que o outro não têm respeito e bla-bla-bla, mesmo não sendo nada disso. Tem que brincar com as coisas. Rir, meu amor. De si mesmo, principalmente. E deixar as birras passarem. É uma sensação incrível. Juro. Experimenta e depois me conta.
Nossa, meu amor, a vovó aqui tá falando pelos cotovelos hoje, hein? Quem diria. Tanto tempo sem vir aqui e agora esse post enorme, falando de um assunto que rende pelo menos um blog inteiro.
É que eu tou falando do que me faz feliz, meu amor. Tem coisa melhor do que isso?